Archive for the 'Refletindo' Category

Sobre a pior amiga do mundo

Eu sou sua melhor amiga, aquela em que você pode confiar todos os seus medos e que você sabe que nunca te deixaria nem nos momentos mais obscuros. Os momentos obscuros são os meus preferidos e eu me alimento de seus medos. Eu sempre estou ao seu lado na hora em que você precisa tomar decisões e quase sempre sou a responsável pelas decisões erradas e pelo seu comportamento impulsivo e não muito usual.

Eu sou traiçoeira e  faço de tudo para conseguir o que quero. E o que eu quero é que você pare de se martirizar e comece a buscar os culpados pelo seu sofrimento. Assim eu poderei chamar os meus outros amigos para também te fazerem companhia. Eu quero que você se machuque e depois machuque as outras pessoas pelo que elas te fizeram passar. Na maior parte do tempo você responde com lágrimas, mas elas nunca são verdadeiras. Suas lágrimas em momentos assim são tão falsas quanto eu.

Eu decido quem são seus inimigos e te incito a lutar contra ele, mesmo que eles não tenham feito nada pra você. Você é tão levada pelas emoções, pobrezinha, quem não precisa de muito para explodir. Uma bomba relógio extremamente maleável em minhas mãos habilidosas.

Eu posso ser mentirosa, mas ao mesmo tempo você se torna uma traidora. Sempre traindo promessas e seus próprios valores quando decide dar ouvidos a mim. Em algumas ocasiões você até tenta lutar, me afastar por um tempo. Que parte de que eu sou sua melhor amiga e sempre estarei ao seu lado você não entende? Você é fraca e não consegue me afastar por muito tempo. Eu sou a solução prática para a sua tristeza e você foi me aperfeiçoando para atender suas necessidades com o passar dos anos. Você me criou e depois me deu forças para crescer e agora deve arcar com as consequências.

Eu não ligo para beleza do mundo, por isso te enveneno para que tudo que você veja seja eu. No final das contas, eu sou tudo que você tem, bobinha. Você é o médico e eu sou seu monstro. Um monstro que você alimentou por tempo demais. Agora eu sei que você se pergunta se pode me matar, talvez consultando aqueles médicos patéticos que irão te receitar alguns comprimidos coloridinhos que supostamente serviriam para me controlar. Não, você não pode me matar e muito menos me controlar. Eu faço parte de quem você é agora e vou estar ao seu lado até o fim de seus dias.

Você pensa demais e eu penso de menos. Você é controlada e eu sou impulsiva. Nós nos completamos perfeitamente. Acho que até você com essa mente fraca e confusa pode enxergar isso. Eu não existo sem você e sua vida se torna muito sem graça e melancólica sem a minha presença. Esse foi o principal motivo para você ter me criado e me deixado crescer. Você queria se livrar da tristeza. Agora veja, sem mais tristeza pra você. Apenas eu, sua fiel escudeira, aquela que te conhece melhor do que todos.

Eu só gostaria que você parasse de lutar contra mim. Tarde demais. Apenas me aceite. Apenas abra seu coração para mim. Prometo que tudo vai melhorar. Seque essas lágrimas e diga olá para essa velha amiga.

Olá, Marina. Eu sou a Raiva.

ps: Post escrito há algum tempo que eu achei perdido no Draft. Por sinal, tenho muitos posts perdidos por lá que irei publicando aos poucos pra deixar o blog sempre atualizado =)

Sobre o ano novo

Já começo o post de ano novo deixando bem claro as minhas ressalvas em relação a essa data. Não boto muita fé no chamado “Ano Novo” e nem acredito que essa data exerça algum tipo de pode macabro no funcionamento do universo. Sejamos sinceros, tudo que as pessoas colocam em suas listas de resoluções para ano novo se encaixa em duas categorias: ou são coisas que só dependem da força de vontade da pessoa (como emagrecer ou parar de fumar) e não é porque você comprou um calendário novo que tudo vai se resolver magicamente; ou são pedidos quase impossíveis que dependem de muita sorte e única e exclusivamente do acaso (como ganhar na loteria ou encontrar o homem dos sonhos). Porém, mesmo com todo o meu mau humor e pessimismo já característicos, não poderia deixar essa data passar em branco.

Estou me despedindo de 2012 com um leve sorriso no rosto. No geral foi um ano bom, mil vezes melhor que 2011. Meu humor ficou um pouco mais controlado, eu mudei de escola pela primeira vez na minha vida, votei pela primeira vez, aprendi muito e amadureci um pouco. Lendo as páginas do meu diário de dezembro de 2011 vejo que sou uma pessoa um tantinho diferente. Uma versão mais leve e menos deprimida de mim mesma. Ainda cheia de defeitos e falhas, só que um pouquinho mais consciente dos meus erros e acertos. Uma versão mais independente de que me orgulho muito.

O que eu quero pra 2013? Bom, para 2013 eu quero menos depressão e mais felicidade. Eu quero mais brisas e menos tempestades. Eu quero escrever mais, ler mais, assistir mais séries, ser mais feliz. Eu quero enxergar melhor os pequenos detalhes, desfrutar dos prazeres mais escondidos e insignificantes. Quero me preparar pra essa vida adulta que bate a minha porta. Quero me despir de toda a raiva, o rancor e a mágoa. Quero deixar o passado para trás, onde é o seu lugar. Nesse finalzinho de ano percebi que as pessoas não são eternas e que não vale a pena perder um tempo valioso remoendo mágoas passadas. Pessoas morrem, pessoas nascem. É assim que funciona a vida. Por isso nesse ano novo quero aproveitar cada segundo do meu tempo. Quero deixar meu olhos bem abertos para não perder nenhum detalhe. Quero sair definitivamente desse ciclo depressivo em que me encontro já há algum tempo. Nesse ano novo eu quero fazer algo diferente, algo que não faço desde a minha infância: eu quero viver. Só que falo sério dessa vez.

Feliz ano novo pra todos vocês!

Sobre Gossip Girl e despedidas

***Esse post contém spoilers do series finale de Gossip Girl*** 

 Aqui estou eu fazendo uma coisa que nunca pensei que faria: me despedindo de Gossip Girl. Mesmo quando saiu a notícia de que a sexta temporada seria a última, nunca me imaginei fazendo posts emocionais sobre a série, porque ultimamente eu a assistia mais por hábito e pelo o que um dia ela significou pra mim. Foi a primeira série que assisti “pra valer” e que me fez ficar viciada em séries de um modo geral. E mais do que isso, fez parte do final da minha infância e quase toda a minha adolescência.

  Depois de seis temporadas GG já estava desgastada, respirando por aparelhos. Não parecia ter mais nada para contar que fosse relevante e caia em um círculo vicioso que sempre acabava em “Pra onde vamos viajar nesse verão?”.  A primeira e a segunda temporada (e arrisco dizer a terceira) foram as melhores e mais marcantes pra mim. As temporadas em que eu ficava esperando ansiosamente pelo próximo episódio e sonhava em viver no Upper East Side.

 Da quarta em diante a coisa foi esfriando. Foi nesse ponto que eu passei a assistir GG sem levar nada muito a sério. Assistia pra me distrair e tentava ignorar os pontos negativos. 45 minutos de diversão e nada mais que isso, porque eu sei que se levasse a sério me decepcionaria. Mesmo com todos os defeitos me sinto orgulhosa (sou uma sobrevivente!) em dizer que em nenhum momento pensei em desistir. Pelo contrário, queria ir até o fim. Era uma questão de honra.

Após muita divagação, voltemos ao assunto principal: o series finale. Sou completamente franca em dizer que essa sexta e última temporada não estava lá aquelas coisas. Tivemos episódios divertidos – alguns mais do que outros -, mas o problema era que a série  não parecia estar perto de seu fim definitivo. Não estava com o menor clima de encerramento.

Um dos meus grandes problemas com a série, e algo que meu lado crítico fazia questão de me lembrar constantemente, era que nenhum dos personagens evoluía. Um bom exemplo disso é Blair Waldorf, tão amada por todos por ser a menina má do high school. Ela cresceu, virou adulta e continuou sendo a menina má do high school, usando esquemas e chantagens para resolver até problemas profissionais.

Isso era um fenômeno que atingia todos os personagens. Não poupava ninguém, até que veio Dan, vulgo Lonely Boy. Dan mudou e amadureceu e isso foi extremamente explorado durante essa temporada. Ele definitivamente não era o mesmo garoto do Brooklyn da primeira temporada. E foi a partir de Dan que esse episódio final teve o diálogo que eu esperei seis temporadas para ouvir:

Blair: “So i guess that means it’s all over now. Now we can all grow up and move on?”
Dan: “Yes. Gossip Girl is dead.”

O fim da Gossip Girl. O fim de um ciclo e a oportunidade para que todos deixassem de lado os antigos hábitos da adolescência. O momento de libertação em que eles estavam livres para amadurecer e finalmente virar gente grande (e parar de acessar um blog de fofocas).

E por incrível que pareça Dan, o eterno Lonely Boy, e pessoalmente o personagem de que sempre menos gostei foi o grande destaque desse final. Não cheguei a chorar, porém admito que senti um aperto no coração quando percebi que aquele seria o último episódio de Gossip Girl que eu veria. Realmente o último. Mais uma coisa que marcou minha adolescência tendo um ponto final. Só que diferente dos Upper East Siders, eu ainda não me sinto pronta pra crescer.

Momentos do episódio que valem a pena ser citados:

– Os comentários e caras e bocas das pessoas quando descobriram quem era a Gossip Girl.
– O impagável “I always tought it was Dorota.” da Blair.
– Serena dizendo que pensava que GG era Eric e que depois chegou a pensar que fosse Rufus. Rufus achando que era o Nate. Não teve como não rir.
– Rachel Bilson fofa aparecendo ao lado de Kristen Bell (que pra quem não sabe é a “voz” da Gossip Girl).
– Serena pagando de carente por atenção e casando com o próprio stalker (desculpa, não resisti).

ps: Não, não amei tudo em relação ao episódio final da série. Tiveram alguns furos que eu optei por relevar ao deixar a fangirl dentro de mim falar mais alto. Pensando friamente, até mesmo a revelação da Gossip Girl só faz sentido se você  levar em conta  apenas a sexta temporada. O que eles construíram nessa temporada levava a essa resposta, mas analisando a série como um todo talvez fique um pouco difícil de engolir a tal pessoa como a GG. Mas pra mim foi mais simples deixar o lado crítico um pouco de lado e encarar o episódio como sendo o final de uma das minhas séries preferidas e só. Bem menos estressante do que ficar procurando provas da incoerência do final em temporadas passadas ou xingando a série em todas as redes sociais. Make love, not war.

Sobre saudade e os horrores da guerra

Essa semana fez 6 meses que meu tio morreu. Quando eu tinha uns 8 anos prometi que quando crescesse escreveria um livro contando a sua história, mas enquanto isso não acontece acho que ele merece um post em sua homenagem. Não é muito, mas é realmente de coração.

Ele nasceu em Berlim e era apenas uma criança quando a 2ª Guerra Mundial começou. E o mais importante, ele era judeu. Como a família dele tinha certo dinheiro, logo que, nas palavras dele, “os judeus começaram a ser marginalizados”, eles fugiram da Alemanha. Já que levantaria muitas suspeitas se uma família judia resolvesse se mudar do dia pra noite, eles tiveram que sair da casa como se estivessem indo apenas passear, deixando tudo pra trás. Colocaram uma roupa por cima da outra e as jóias e o dinheiro nos bolsos dos casacos.

A sua família ficou durante alguns anos viajando por países vizinhos e fugindo novamente quando o exército nazista se aproximava. Depois disso conseguiram ir para a Inglaterra e ficaram sabendo que naquela semana sairia um navio para a América. E foi assim que eles desembarcaram no Brasil, mais especificamente no litoral do Rio Grande do Sul.

O pai dele era um professor e resolveu ir para São Paulo onde teria mais oportunidades de emprego. Assim ele passou a trabalhar na USP e sua família se estabeleceu definitivamente em São Paulo, se converteu para o catolicismo e mudou a pronúncia do sobrenome. A minha tia acabou conhecendo a mãe desse meu “tio” e as duas ficaram amigas. Quando os pais dele morreram, minha tia passou a tratá-lo como filho, já que ele não tinha nenhuma família no Brasil. Foi assim que ele virou o meu tio por consideração.

Ele era uma pessoa engraçada, um pouco estranha. Não tinha amigos, nunca casou ou teve filhos e viveu sozinho por muito tempo até se internar em uma casa de repouso. Eu me lembro claramente de quando ele vinha aqui em casa durante o Natal ou Ano Novo e como ele morria de medo dos fogos de artifício. Ele dizia que o fazia lembrar das bombas. Ele era cheio de manias e tiques e morria de medo de morrer.

Ele era gay e nunca se assumiu por medo. Ele já se achava um traidor por ter nascido judeu e tinha medo de que se assumisse a homossexualidade iria parar no inferno. Ele realmente acreditava na ideia de céu e inferno. Ele ainda tinha medo dos nazistas. Ele viveu toda a sua vida com medo.

Eu não sei o porquê, mas senti vontade de falar a respeito dele hoje, contar sua história para alguém. Meu tio é o principal motivo da minha obsessão quase doentia pela 2ª Guerra Mundial e por Adolf Hitler. Ele me fez amar História de um modo geral. E eu nunca vou esquecê-lo e também não deixarei que sua história seja esquecida. Mesmo que eu não escreva um livro a respeito, ele sempre será de alguma forma lembrado. Eu penso que ele merece isso.

Sobre o caso Robsten e ser fã

Hoje no Twitter tinham várias pessoas na minha timeline discutindo a respeito da traição da Kristen Stewart e blá blá blá. Notícia velha, vocês provavelmente já cansaram de ouvir falar sobre isso. O motivo que me levou a escrever esse post foi ver algumas pessoas conversando e contando que não dormiram a noite, que choraram o dia inteiro e que estavam sem saber o que fazer diante da notícia da Kristen traindo o Robert. Que aquilo era algo terrível que tinha deixado eles sem chão.

Isso é um resumo por cima de toda a conversa que admito, me deixou chocada. As pessoas estavam agindo como se tivessem descobrido a traição da namorada ou alguma coisa do tipo. E aí  eu me pergunto: você é um fã de Robsten (e nada contra isso), mas o que exatamente você tem a ver com isso? É a vida deles, não a sua. Tudo bem ficar chateado a notícia, eu mesma cheguei a ficar em um estado de “Poxa, como ela pode fazer isso com ele?”. Daí eu me pergunto novamente: até onde é saudável ser fã?

Eu falo por experiência própria, porque eu não tenho cabeça para ser fã. Já fui fã de muitas coisas (inclusive do Robert Pattinson), só que sempre chegava em um ponto onde eu misturava tudo e passava a projetar a minha vida na vida da pessoa. Na minha cabeça, qualquer coisa que acontecesse com o essa pessoa refletiria diretamente na minha vida. Eu passava a viver exclusivamente pela pessoa de que eu era fã.

Até eu perceber que não era saudável tentar viver pela outra pessoa, não era saudável o meu jeito de ser fã. Foi então que eu parei com tudo. Hoje em dia gosto das coisas moderadamente e fico sempre me policiando. Eu fico obsessiva demais quando eu sou fã. Louca demais. Tudo fica exagerado e não é nem um pouco saudável. Eu tenho que viver a minha vida, por mais horrível que seja às vezes.

Isso me leva a pensar que se eu não tenho cabeça para isso, existem outras pessoas que também não tem. São essas mesmas pessoas que passaram a se cortar pela Demi Lovato. São essas pessoas que até hoje gastam seu tempo odiando a Yoko Ono. E também são essas pessoas que escrevem cartas com o próprio sangue declarando o seu amor pelo Sid Vicious (SÉRIO!).

É legal admirar o trabalho de determinado ator/cantor/banda. É super legal procurar saber mais a respeito das coisas que você gosta. É a melhor sensação do mundo quando vai ao show de uma banda que você ama. O segredo é saber controlar as coisas, saber até onde aquele “gostar” é saudável. E uma dica: quando isso começa a afetar a sua vida de uma maneira negativa, não está mais saudável.

Me desculpem se alguém se sentiu ofendido pelo post, juro que não foi proposital. Não me odeiem, eu sou sensível.


Mariella

"But Mariella just smiled as she skipped down the road because she knew all the secrets in her world."

@mariellapops

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