Um coração partido e algumas páginas rasgadas

Faz muito tempo desde a última vez que escrevi alguma coisa por aqui. Mas veja bem, faz muito desde que escrevi alguma coisa de modo geral. É claro que não levo em consideração as redações da escola já que falho miseravelmente em cada uma delas. É patético, deprimente e cansativo depois de tantas tentativas. E meu problema em aceitar o fracasso, a minha teimosia e tendência de sucumbir sob pressão não ajudam em nada.

Tentem entender o meu lado. Eu não desenho, não canto, não cozinho, não tenho nenhuma capacidade especial ou uma inteligência acima do normal. De certa forma eu sempre pensei que escrever fosse o meu diferencial, fosse algo especial que iria fazer com que eu me destacasse no meio da multidão. Tire isso de mim e eu fico sem nada. Vazia, desinteressante e sem habilidades sociais. De novo, um fracasso. A não ser, é claro, que vocês conheçam alguém que ganhou algum prêmio ou conseguiu um emprego por simplesmente gostar de ler e conseguir ler rápido. “Eu gosto de ler e leio bastante” é uma droga de diferencial, principalmente porque nem chega a ser um diferencial de fato.

E pra ajudar nessa confusão eu estou ficando triste de novo. Não triste deprimida, sim triste melancólica. Triste mal humorada, triste pessimista, irritantemente triste. E eu pressinto que isso é apenas um eco do que eu realmente deveria estar sentindo. Eu tento não pensar no assunto, mas ao mesmo tempo eu sei que quanto mais eu guardar isso dentro de mim pior será no final. Uma hora os sentimentos virão à tona e vai ser algo paralisante. Do tipo triste-deprimido-suicida. Eu sou tão instável quanto os anos 30, o entreguerras pós Grande Depressão. O clima de guerra está no ar e quanto mais demorar para o conflito eclodir, mais perigoso será para todos os envolvidos. Eu estou, ou melhor, sou tão solitária. Não tenho ninguém em que eu possa confiar, conversar com sinceridade e compartilhar todos os meus medos e angústias; em suma ser eu mesma sem medo de julgamentos. Minha vida é feita de relacionamentos superficiais e eu sei que grande parte disso é culpa minha. Eu fiz isso comigo mesma. Eu queimo pontes e me afasto de qualquer relacionamento que possa vir a ser profundo ou duradouro. E a cada dia que passa essa solidão pesa mais dentro de mim, dando mais combustível pra uma futura explosão. Mas afinal, quem gostaria de ter por perto alguém como eu? Uma bomba-relógio não torna o clima mais agradável.

No final das contas talvez eu seja um pouquinho mais forte do que jamais imaginei que seria. Porque apesar de tudo eu vou me forçar a continuar com essa vida estilo The Walking Dead, me obrigando a levantar todos os dias para escrever redações que provavelmente serão zeradas, estudando pra passar no vestibular de um curso que eu nem tenho certeza se quero realmente fazer e tendo como melhor momento do dia a hora em que eu posso finalmente dormir. Apesar dos pesadelos…mas não quero nem pensar nos pesadelos.

Eu tenho toda essa confusão na minha mente, todas essas vozes esperando pela sua chance de serem ouvidas, toda essa música, todas essas histórias implorando para serem contadas. Acho que isso é a pior parte. De toda a merda que anda acontecendo essa talvez seja a única coisa com o poder de partir meu coração. A sensação de querer escrever e não poder, por não me sentir boa o suficiente, parte o meu coração. Porque eu sei que mais cedo ou mais tarde eu vou explodir e dessa vez não terei nada pra amortecer minha queda ou recolher meus pedaços. Não terei as palavras para me consolar. O que pra alguns não passa de uma obrigação, tinta no papel, pra mim é uma maneira de tornar certas situações mais suportáveis, de me encontrar quando estou perdida, de me expressar de uma maneira única…é movimento, é vida. Escrever é preciso. E agora que levaram isso de mim eu estou sem nada. Eu estou perdida.

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2 Responses to “Um coração partido e algumas páginas rasgadas”


  1. 1 rafaela 01/06/2013 at 13:19

    ME DIGA QUEM FOI QUE DISSE QUE VOCÊ NÃO SABE ESCREVER!? Entendo seu ponto, se sentir nada, sentir que nem a sua talvez única qualidade é falsa. Antes eu também me reprimia por não valorizar muito minhas amizades, não é, como também não era, o simples fato delas não serem importantes pra mim. Pois são. Mas percebi uma coisa, eu gosto de ser assim: desapegada, sozinha. Não sempre, mas gosto. Talvez você esteja se reprimindo, não porque você precise de alguém, mas sim porque você veja o quanto os outros colocam em uma pedestal as suas amizades. Não? Tente se ocupar, ler, assistir a filmes e etc, e aposto que quando sua mente se acalmar com esses problemas alheios, você terá sua escrita novamente. Eu fiz uma suposição, não sei o que você sente mesmo, mas tente deixar isso de lado, ajuda muito! rs
    Abraço

  2. 2 rafaela 21/06/2013 at 12:58

    Oi… tem tag lá no blog pra ti, volte logo!


(Gente,se vocês colocarem o e-mail serão redirecionados para uma página de login do Gravatar. Então é só deixar o campo "e-mail" em branco, ok?)

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