Archive for October, 2012

Sobre saudade e os horrores da guerra

Essa semana fez 6 meses que meu tio morreu. Quando eu tinha uns 8 anos prometi que quando crescesse escreveria um livro contando a sua história, mas enquanto isso não acontece acho que ele merece um post em sua homenagem. Não é muito, mas é realmente de coração.

Ele nasceu em Berlim e era apenas uma criança quando a 2ª Guerra Mundial começou. E o mais importante, ele era judeu. Como a família dele tinha certo dinheiro, logo que, nas palavras dele, “os judeus começaram a ser marginalizados”, eles fugiram da Alemanha. Já que levantaria muitas suspeitas se uma família judia resolvesse se mudar do dia pra noite, eles tiveram que sair da casa como se estivessem indo apenas passear, deixando tudo pra trás. Colocaram uma roupa por cima da outra e as jóias e o dinheiro nos bolsos dos casacos.

A sua família ficou durante alguns anos viajando por países vizinhos e fugindo novamente quando o exército nazista se aproximava. Depois disso conseguiram ir para a Inglaterra e ficaram sabendo que naquela semana sairia um navio para a América. E foi assim que eles desembarcaram no Brasil, mais especificamente no litoral do Rio Grande do Sul.

O pai dele era um professor e resolveu ir para São Paulo onde teria mais oportunidades de emprego. Assim ele passou a trabalhar na USP e sua família se estabeleceu definitivamente em São Paulo, se converteu para o catolicismo e mudou a pronúncia do sobrenome. A minha tia acabou conhecendo a mãe desse meu “tio” e as duas ficaram amigas. Quando os pais dele morreram, minha tia passou a tratá-lo como filho, já que ele não tinha nenhuma família no Brasil. Foi assim que ele virou o meu tio por consideração.

Ele era uma pessoa engraçada, um pouco estranha. Não tinha amigos, nunca casou ou teve filhos e viveu sozinho por muito tempo até se internar em uma casa de repouso. Eu me lembro claramente de quando ele vinha aqui em casa durante o Natal ou Ano Novo e como ele morria de medo dos fogos de artifício. Ele dizia que o fazia lembrar das bombas. Ele era cheio de manias e tiques e morria de medo de morrer.

Ele era gay e nunca se assumiu por medo. Ele já se achava um traidor por ter nascido judeu e tinha medo de que se assumisse a homossexualidade iria parar no inferno. Ele realmente acreditava na ideia de céu e inferno. Ele ainda tinha medo dos nazistas. Ele viveu toda a sua vida com medo.

Eu não sei o porquê, mas senti vontade de falar a respeito dele hoje, contar sua história para alguém. Meu tio é o principal motivo da minha obsessão quase doentia pela 2ª Guerra Mundial e por Adolf Hitler. Ele me fez amar História de um modo geral. E eu nunca vou esquecê-lo e também não deixarei que sua história seja esquecida. Mesmo que eu não escreva um livro a respeito, ele sempre será de alguma forma lembrado. Eu penso que ele merece isso.

Desafio Fall Season, Parte 2

Continuando com os posts do Desafio Fall Season (clique aqui para a parte 1), onde comento sobre as séries novas (de que gostei, lógico) e dou minha opinião sempre muito chata a respeito de tudo. Vamos lá pra sessão diária de tortura:

Beauty and the Beast (trailer aqui)

Uma nova versão de uma série do anos 80, da qual nunca ouvi falar, mas só pelo nome já podemos ter uma noção do que é a série. Temos a mocinha bonitinha -que no caso é detetive- e a “fera”, uma mutação genética originada de testes no Afeganistão. A nossa fera vive escondida tentando achar um antídoto para a sua condição e tem um fetiche em salvar pessoas em perigo mortal. É assim que acaba salvando nossa mocinha da morte quando ela era apenas adolescente. Eles se reencontram anos depois e o resto já dá pra imaginar.

Logo que terminei de assistir não tive certeza se havia gostado ou não. O episódio me agradou no geral, mas ficou bem na média: não é uma droga, mas também não é uma maravilha. Acho que seria uma série pra assistir só por diversão, sem levar nada muito a sério. É só ignorar o fato de que a “fera” de fera não tem nada, que fica tudo ok.

Arrow (trailer aqui)

Também conhecida como a série do Arqueiro Verde. E basicamente é isso: a série do Arqueiro Verde, bem estilo Smallvile e etc. Quando vi o trailer, o meu primeiro pensamento foi: “Quem se importa com ele o suficiente pra fazer uma série?” Que me perdoem os amantes do Arqueiro Verde (eles existem?), mas realmente achei que seria uma droga, não sei se porque ele é um herói pelo qual eu nunca me interessei ou por esse poster vergonhoso da série que me fez imaginar muitas cenas de shirtless e uma droga de história.

Agora admito, realmente tem algumas cenas de shirtless que valem a pena, mas mordo minha língua em relação a história. Eu amei esse primeiro episódio e com certeza continuarei assistindo. Me deixou muito curiosa e interessada, bem diferente de algumas séries que eu assisto e fico vendo quanto tempo falta pra acabar o episódio. Na verdade, nem notei os 40 minutos passando e pra mim é assim que tem que ser. É uma daquelas séries que recomendo com (muita!) força. Assistam. Sério.

Elementary (trailer aqui)

Cinco palavras: Sherlock Holmes em Nova York. Sherlock Holmes nos dias atuais, exatamente como na série Sherlock da BBC. E quando você pensa que não pode piorar, saiba que John Watson virou Joan Watson e é uma ex-pantera (aka Lucy Liu). Motivos de sobra para ser bem ruim, não é mesmo? Mas como todas as outras séries desse post, foi surpreendentemente bom. Elementary segue a linha procedural, também conhecida como caso da semana, e mesmo que o caso do primeiro episódio não tenha sido tão genial a nível de Sherlock continuarei assistindo. Gostei do clima e do ritmo da série, e a caracterização do Sherlock consegue ser diferente do que já vi sem perder a essência do personagem. Gostei mesmo, enquanto estiver me divertindo continuarei vendo.

Sobre aquela página de diário

Nesse tempo que o blog ficou parado, não houve um dia em que não entrei aqui, tentei escrever um post e acabei deixando salvo nos rascunhos. Porém essa falta de atualização estava começando a me incomodar (muito!) e daí lembrei que tem algum tempo que não faço posts falando sobre minha vida (who cares né rs) e etc. Então, vamos lá porque isso será bem uma página de diário.

Enquanto penso o que escrever aqui, entendo cada vez mais o motivo de não postar tanto assim sobre a minha vida e dia a dia: nada acontece. Sério, nada que mereça ser mencionado aconteceu nos últimos meses.

Eu não sei se vocês se lembram da minha dúvida quanto a profissão, mas acabei reduzindo as minhas várias opções para apenas duas: História e Direito. O grande problema acaba sendo que não penso em fazer História para dar aula, jamais quero ser professora. Por isso tudo que me resta é ser historiadora, uma área que não é muito valorizada no Brasil.

Para resolver de uma vez por todas esse problema decidi que irei prestar História na Unicamp e Direito na USP. Eu faço o curso em que eu passar. Pretendo só prestar essas duas públicas e depois tentar as particulares sempre nesse esquema de Direito em uma e História em outra. Essa é a decisão que eu tenho pra hoje e por enquanto adiarei essas preocupações para o ano que vem, que será o tão temido ano do vestibular (medo de pensar).

Quanto as outras coisas, bem…continuo do mesmo jeito, com a diferença que o pior das minhas crises depressivas parece ter passado. Meu humor está um pouquinho mais controlado. No geral, eu continuo sendo eu: lendo muito, assistindo muitas séries, dormindo tarde e sempre super-hiper-mega preocupada com as minhas notas.

Depois desse post mega filler só pra dizer que atualizei, prometo voltar aqui ainda essa semana com algum assunto realmente interessante (ou não, depende do ponto de vista). O resto vocês já sabem e qualquer novidade vocês serão sempre os primeiros a saber.

xoxo

(não se acostumem com despedidas fofas, é que como Gossip Girl volta hoje pra temporada final não pude resistir!)


Mariella

"But Mariella just smiled as she skipped down the road because she knew all the secrets in her world."

@mariellapops

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